História
Mais de um século de música, teatro e desporto em Caneças: da Real Fanfarra de 1880 e do Clube Desportivo de 1924 à casa que, desde 1973, reúne as duas coletividades.

A história da SMDC começa com duas bandas rivais no Caneças do final do século XIX. A Real Fanfarra de Caneças, fundada a 19 de março de 1880, venceu em 1884 o concurso da Exposição Agrícola de Lisboa e deu origem à Sociedade Musical de Caneças, que durante décadas levou a música às terras vizinhas sem ter casa própria.
Nos anos 20 nasceu o Clube Desportivo de Caneças, da união do Grémio Recreativo com o Grupo Sportivo, e com ele o futebol, o atletismo e o ciclismo da freguesia. Nos anos 40 os sócios da Sociedade construíram a sede no Largo Vieira Caldas, a “Casa da Sociedade”, que seria palco de teatro, bailes e cinema.
Em janeiro de 1973, numa assembleia geral conjunta, as duas coletividades fundiram-se na Sociedade Musical e Desportiva de Caneças, mantendo a data de fundação da mais antiga. Seguiram-se décadas de fervor associativo, uma Escola de Música gratuita, o regresso do teatro, o relvado do Campo da Lapa e, hoje, uma casa com banda, teatro, ginástica, dança e futebol de formação.
Texto preparado a partir do arquivo público dos sites anteriores da SMDC. As datas assinaladas como “a confirmar” aguardam validação da direção.
Cronologia
As duas bandas e o clube (1880–1924)
1880
A Real Fanfarra de Caneças

Duas formações musicais rivais animam Caneças no final do século XIX: a Real Fanfarra de Caneças e a Banda Marcial Philarmonica Avante Canecense. A Real Fanfarra, fundada a 19 de março de 1880 e dirigida por Augusto de Castro, é a que dá à SMDC a sua data de fundação.
1884
Primeiro prémio na Tapada da Ajuda

A 13 de julho de 1884, no concurso musical da II Exposição Agrícola de Lisboa, a Real Fanfarra vence oito filarmónicas da região e conquista o 1.º Prémio Pecuniário. A crónica de Casimiro Dantas em “A Illustração Portugueza” é a primeira referência documentada à banda. Um estandarte oferecido pela Rainha D. Amélia guarda a memória do feito.
1915
A Banda da Sociedade Musical

As duas bandas unem-se na Sociedade Musical de Caneças, que leva a música da terra às povoações vizinhas: Camarões, Montemor, Dona Maria, Aruil. Durante décadas a banda anda “com a casa às costas”, ensaiando onde pode.
1924
Nasce o Clube Desportivo de Caneças

No princípio dos anos 20 aparecem o Grémio Recreativo de Caneças, na Rua do Arco, e o Grupo Sportivo de Caneças. Da sua união nasce, a 2 de junho de 1924, o Clube Desportivo de Caneças, com futebol, atletismo e até ciclismo. O verde do seu emblema é hoje metade do escudo da SMDC.
A casa (1924–1945)
1944
A casa da Sociedade

Os sócios constroem com as próprias mãos o edifício-sede no Largo Vieira Caldas, inaugurado em meados dos anos 40. A “Casa da Sociedade” torna-se o centro da vida cultural da terra, com teatro, bailes e, mais tarde, uma das melhores salas de cinema da região.
A fusão (1945–1973)
1973
A fusão

Uma crise no movimento associativo deixa o Clube Desportivo sem direção em 1971. Um movimento pró-fusão, liderado por Manuel Duarte Sacavém, Vitorino Silvério Fernandes e Nicolau Dias Lopes, leva à assembleia geral conjunta de 5 e 16 de janeiro de 1973. Nasce a Sociedade Musical e Desportiva de Caneças, que mantém a data de fundação de 1880.
O fervor associativo (1973–2000)
1976
Os Estatutos

A nova coletividade adota a designação atual por escritura de setembro de 1976 e vê os seus Estatutos publicados no Diário da República a 4 de novembro. Os anos que se seguem à Revolução de Abril são de enorme fervor associativo: multiplicam-se as modalidades e renovam-se o Campo da Lapa e a sede.
1985
A Escola de Música
A Sociedade cria uma Escola de Música gratuita, que renova os quadros da banda nos anos seguintes. Em 1995, com o maestro Carlos Gomes, a banda é reestruturada e passa a contar com cerca de cinquenta figuras.
A SMDC de hoje (desde 2000)
2000
Teatro e bandas
Em fevereiro de 2000 nasce o Artecanes Teatro, que reata a tradição teatral da casa. Em março, a banda organiza o primeiro Encontro de Bandas Amadoras, que se torna anual e traz a Caneças filarmónicas de todo o país e de Espanha.
2005
O relvado do Campo da Lapa

Com o apoio unânime da Câmara Municipal de Odivelas, o Campo da Lapa ganha relvado sintético, uma obra de cerca de 350 mil euros que dá ao futebol de formação condições iguais às dos outros clubes do concelho.
2011
O Vocálise
Nasce o Vocálise, grupo de canto e expressão cénica, que no ano seguinte enche a sede com o espetáculo “Viver a Música”. A SMDC chega ao século XXI com banda, escola de música, teatro, ginástica, dança e futebol de formação.
